Feliz Sonho Novo!
“De que serviria a vida se não fosse para corrigir erros, vencer nossos preconceito e, a cada dia, alargar nosso coração e nosso pensamento?”
Romain Rolland – Jean Christophe
A passagem de ano é uma época de reflexão e de renovação de expectativas. Esta ocasião gera uma motivação especial em nossas vidas. É comum fazermos balanços sentimentais, financeiros, profissionais e de outras naturezas. Arrependemos-nos de coisas que fizemos e de outras que deixamos de fazer, assim como nos conformamos com determinadas situações e nos parabenizamos por realizações alcançadas. Portanto a pergunta é a seguinte: será que podemos utilizar este momento para promover um crescimento pessoal?
Como bem disse Albert Einstein, “A maioria de nós prefere olhar para fora e não para dentro de si próprio”.
Neste final de ano, refletindo, me dei conta de ter escrito perto de cem artigos, que foram publicados em revistas, jornais, portais, sites, blogs e comunidades da internet. Tratamos de assuntos que vão da gestão de carreira e marketing pessoal, ao comportamento humano, passando pelas relações interpessoais, e a influência da inteligência emocional para o sucesso pessoal e profissional. Por isto, e para não cair na tentação de me aventurar na distribuição gratuita de conselhos às pessoas nesta época festiva, pensei em embutir algumas dicas abordadas em meus artigos dentro de uma mensagem de ano novo que gostaria de dedicar àqueles que acompanharam nosso trabalho. Aqui vão elas:
• Começo destacando que é fundamental em nossa vida termos objetivos bem claros, portanto a primeira dica é: “Tenha sonhos”. Seja passar num concurso, comprar um carro, casar, divorciar, conquistar alguém, acertar na loteria, mudar de vida, viajar, se apaixonar. Não importa, construa um ou mais sonhos importantes o suficiente para dar sentido à sua vida e para se motivar. A vida sem um sonho é um navio à deriva.
• Respeite a si mesmo, pois só assim as pessoas irão respeitá-lo também. Se prometer, cumpra e se não puder cumprir, avise. Não permita que ninguém brinque com seus sentimentos e com seu destino e não brinque com os sentimentos e com o destino das pessoas. Aqui vai a segunda sugestão: “Tenha princípios e valores, e lute por eles respeitando o direito das pessoas”.
• Não leve as vida tão a sério a ponto de se tornar carrancudo. O bom humor é um santo remédio, e faz bem à saúde, aos relacionamentos, ao trabalho e à vida. Portanto: “Sorria, e procure incluir o bom humor no seu dia a dia”.
• A felicidade é muito mais do que um sonho e também é mais do que a ausência do pesadelo, é um direito divino de todos os seres humanos. É preciso buscá-la no trabalho e na vida pessoal, nos relacionamentos afetivos e nas relações familiares. Assim: “Busque a felicidade a todo custo, e em cada dia de sua vida, pois você tem direito a ela”.
• O medo e a culpa são sentimentos inevitáveis, por isto temos de aprender a conviver com eles. Assim como a dor, eles são uma forma que a natureza tem para nos proteger contra nossa tendência a nos colocar em risco, portanto não se deixe abater por estas sensações e utilize estes sentimentos a seu favor. Por isto: “Aprenda a conviver com o medo e o sentimento de culpa descobrindo o lado positivo destas sensações”.
• Cuide de sua mente. Acredite nos seus instintos, confie no seu inconsciente e tenha fé. A parte menos esperta e mais sem graça de uma pessoa é seu lado consciente e racional, ele serve para fazer contas e ganhar dinheiro, mas não nos realiza. É por isto que as crianças são tão espirituosas, alegres e felizes, elas são intuitivas. Minha sexta dica é: “Cuide de sua mente, ela é a única passagem que existe para a felicidade”.
• Cuide do seu corpo, ele é mais útil a você do que seu carro novo, seu notebook, seu celular de ultima geração e do que sua TV de plasma. Então, porque investimos tão pouco nele? Por esta razão: “Cuide de seu corpo, trate-o com zelo, invista nele todo o tempo e recursos disponíveis”.
• Aumente sua percepção do mundo, assim você se comunicará melhor com as pessoas e com a natureza. Talvez seja hora de olhar mais cuidadosamente para as pessoas com quem convive, ouvi-las atenciosamente, tocá-las com mais cuidado e carinho, sentir de verdade o aroma da natureza, o gosto dos alimentos e das bebidas que ingerimos. Minha sugestão é: “Desenvolva seus cinco sentidos”.
• Aprenda a tomar decisões baseadas em critérios e valores. Família, dinheiro, profissão, amor, relacionamentos e prazer são alguns dos motivos que nos levam a fazer escolhas. Precisamos ter uma hierarquia de valores e critérios que nos ajudem a tomar as decisões de maneira segura e sem arrependimentos. Portanto: “Tenha critérios para tomar decisões baseadas em seus valores segundo a ordem de importância dos mesmos”.
• Concluo este conjunto de dicas falando sobre a importância das crenças. É preciso, sobretudo, acreditar em nós mesmos e em nossa capacidade de realização. As crenças são como profecias auto realizáveis, pois quando acreditamos realmente que podemos conquistar alguma coisa, esta fé inabalável exerce um grande impacto sobre nosso comportamento e influencia o resultado final de nossas conquistas. Minha dica numero dez é: “Desenvolva sua fé. Quando tiver objetivos e sonhos creia firmemente que poderá alcançá-los”.
Provavelmente algumas destas sugestões farão muito sentido para você neste momento de sua vida, outras não, por isto sugiro que analise aquelas que podem lhe ser úteis agora, e utilize-as para melhorar sua vida. Em troca, como retribuição, faça uma boa ação nesta passagem de ano. As outras, guarde-as com carinho, pois talvez possam lhe inspirar no futuro.
Feliz ano novo!
Ari Lima
contato@arilima.com
http://www.ari-lima.blogspot.com/
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
sábado, 24 de novembro de 2007
A Liderança Segundo Maquiavel - INTRODUÇÃO
A Liderança Segundo Maquiavel
Uma introdução
Apresentar uma tese sobre liderança gera, em todos os sentidos que se
queira analisar, um grande desafio. Em primeiro lugar existem diversas
escolas de liderança pregando métodos diferentes, todos buscando
alcançar o mesmo objetivo. Existem as escolas mais humanistas, outras
democráticas, já algumas defendem uma forma mais autoritária de
conduzir a liderança, e tantas outras formas de abordar o mesmo tema.
Escolhemos apresentar uma tese de liderança específica, influenciada
na teoria de Nicolau Maquiavel sobre o assunto, fazendo as adaptações
necessárias e, claro, incluindo conceitos modernos que estejam de
acordo com as idéias citadas.
Não temos a presunção de estar apresentando a teoria definitiva sobre
liderança, até porque não acreditamos que esta teoria possa existir.
Apenas queremos apresentar uma forma de liderança que possa, de alguma
forma e em determinadas circunstancias ser útil às organizações e às
pessoas que ocupem cargos de chefia.
Gostaríamos de fazer dois alertas iniciais a todos que se ocuparem de
conhecer as idéias aqui apresentadas. O primeiro, é sobre o termo
"Maquiavelismo", que tem conotação negativa, quando se fala em
utilizar métodos escusos para obter determinados resultados. "Os fins
justificam os meios, e, por isto, vale tudo para atingir os fins
almejados, pensam algumas pessoas."
Neste caso podemos dizer que, assim como o bisturi é um instrumento
que pode ser utilizado para salvar vidas, mas também pode tirá-las,
muitas das idéias aqui apresentadas podem ser usadas de uma forma
positiva e útil nas organizações, como também de maneira negativa e
danosa nas mesmas. Vai depender ética e das intenções das pessoas que
irão utilizá-las.
Outra advertência que gostaríamos de mencionar é sobre a natureza do
comportamento humano. Seria ideal que pudéssemos desenvolver uma
teoria puramente humanista levando-se em conta que essencialmente as
pessoas são boas e têm sempre comportamentos louváveis e previsíveis.
No entanto, como nos alerta Maquiavel, devemos esquecer a fantasia ou
a imaginação e tratar apenas da realidade, indo atrás da verdade
efetiva das coisas.
Por isto, é necessário levar em conta um conjunto de fatores sobre o
comportamento dos profissionais dentro das organizações que não são
necessariamente dignos de elogios, mas que são a expressão da
realidade em muitos casos.
Seria desejável que as pessoas tivessem apenas virtudes como:
generosidade, fidelidade, piedade, coragem, franqueza, benevolência,
bom humor, entusiasmo, disposição física e mental, entre outras boas
qualidades. Mas a verdade é que encontramos também avareza, crueldade,
covardia, pusilanimidade, truculência, superficialidade, inveja,
cobiça, ambição desmedida, perversidade, intrigas e muitos outros
desvios de personalidade.
Desta forma, o líder precisar levar em conta todas estas
possibilidades de comportamentos. Muitas pessoas dentro das
organizações chegam mesmo a precisar de algum tipo de tratamento e, no
entanto, continuam trabalhando normalmente e desta forma prejudicando
seus colegas de trabalho e os objetivos da organização. Por isto, às
vezes será necessário tomar decisões duras e difíceis que desagradarão
alguns, mas que serão benéficas para muitos.
Na obra "O Príncipe", escrita no início do século XVI, Maquiavel
desenvolve um estudo sobre a natureza das ações dos "príncipes", termo
que utilizava para designar todo mandatário que dirigia um país,
região ou província independente, e do comportamento de seus
liderados. O autor elaborou um verdadeiro tratado sobre como chegar ao
poder e, mais importante, manter-se nele, de maneira eficaz. A partir
da análise do comportamento humano, mostrou como um líder pode
utilizar o conhecimento da natureza humana para influenciar as ações
de seus liderados.
Através do conhecimento de obras clássicas cujos princípios
sobreviveram através dos séculos é possível obter muita sabedoria e
aplica-las nos dias atuais. Este é o caso dos consultores americanos,
Al Ries e Jack Trout, que lançaram em 1986 o livro "Marketing de
Guerra", onde desenvolveram a tese do posicionamento tático
estratégico das empresas frente à concorrência.
Suas idéias foram baseadas nas teses do General Prussiano Karl Von
Clausewitz, em seu tratado "On War" (1832), texto obrigatório nas
principais academias militares do mundo. Neste livro, os autores
demonstram de forma inteligente como é possível às organizações
utilizarem os mesmos princípios da guerra convencional para alcançarem
sucesso frente à concorrência.
Assim como o estudo das teses de Clausewitz permitiu que seus
princípios fossem utilizados com sucesso pelas organizações a partir
da analogia entre a guerra convencional e a batalha entre as empresas,
também entendemos que muitas das idéias de Maquiavel, nesta obra,
poderão ser úteis aos lideres nas corporações. Tanto em empresas
públicas como nas privadas, e em diversas outras instituições, a
difícil missão de liderar pessoas e obter o melhor resultado do
trabalho delas poderá ser facilitada pela utilização das idéias aqui
apresentadas.
Existem muitas questões sobre liderança, analisadas por Maquiavel em
sua obra, que continuam incomodando executivos, diretores, gerentes e
demais lideres empresarias na maioria das corporações atuais. Muitos
dos conceitos abordados em sua obra "casam como uma luva" nas
organizações, atualmente. Outros precisam de certas adaptações.
Para exemplificar podemos citar os títulos de alguns dos capítulos da
obra "O Príncipe":
· As qualidades pelas quais os homens, sobretudo os príncipes, são
louvados ou censurados.
· A generosidade e parcimônia.
· A crueldade e a clemência: se é melhor ser amado do que temido, ou o
contrário.
· Como evitar o desprezo e o ódio.
· Como um príncipe deve agir para ser estimado.
· Como evitar os aduladores.
O desafio de adaptar muitos destes conceitos à realidade das
organizações atual, é, em parte, facilitado por ser a obra de
Maquiavel um texto universal o suficiente para ter atravessado cinco
séculos de história mantendo-se válido para uma grande gama de
situações políticas e sociais. No entanto, no contexto em que
apresentamos foi necessário fazer a adaptação para a área
organizacional.
Nesta obra Maquiavel nos apresenta um estudo sobre a natureza humana
isento de preconceitos e ética, o que nos obriga a também realizar uma
análise sobre estes aspectos para melhor contextualiza-los em nossa
realidade atual e utilizá-los de maneira útil para as pessoas e
organizações.
Nos próximos capítulos estaremos fazendo exatamente isto: analisando
passo a passo a obra "O Príncipe", e extraindo as idéias que poderão
ser utilizadas de maneira eficaz pelos lideres organizacionais, ou
seja, diretores, executivos, chefes, gerentes, supervisores e demais
cargos de chefia dentro das organizações para conseguir uma melhor
produtividade de seus colaboradores.
Acreditamos que este estudo poderá contribuir de maneira efetiva e
gerar um impacto positivo no resultado almejado pelos lideres
organizacionais. No entanto fica um sinal de alerta: Maquiavel se
isentou de considerações éticas na defesa de muitas de suas teses, por
isto, solicitamos a todos que farão uso destas poderosas idéias, que
possam guiar-se pelas melhores intenções para o bem das organizações e
das pessoas que nelas trabalham, tendo como juiz sua própria
consciência.
Ari Lima
cont...@arilima.com
Blog http://ari-lima.blogspot.com
Participe do grupo de discussão sobre liderança
http://groups.google.com.br/group/a-liderança
Obs.
A partir dos próximos dias estaremos publicando sequencialmente cada
um dos dezessete capítulos que compõem esta obra, que esperamos possam
contribuir para esclarecer e ajudar na difícil tarefa de liderar
Uma introdução
Apresentar uma tese sobre liderança gera, em todos os sentidos que se
queira analisar, um grande desafio. Em primeiro lugar existem diversas
escolas de liderança pregando métodos diferentes, todos buscando
alcançar o mesmo objetivo. Existem as escolas mais humanistas, outras
democráticas, já algumas defendem uma forma mais autoritária de
conduzir a liderança, e tantas outras formas de abordar o mesmo tema.
Escolhemos apresentar uma tese de liderança específica, influenciada
na teoria de Nicolau Maquiavel sobre o assunto, fazendo as adaptações
necessárias e, claro, incluindo conceitos modernos que estejam de
acordo com as idéias citadas.
Não temos a presunção de estar apresentando a teoria definitiva sobre
liderança, até porque não acreditamos que esta teoria possa existir.
Apenas queremos apresentar uma forma de liderança que possa, de alguma
forma e em determinadas circunstancias ser útil às organizações e às
pessoas que ocupem cargos de chefia.
Gostaríamos de fazer dois alertas iniciais a todos que se ocuparem de
conhecer as idéias aqui apresentadas. O primeiro, é sobre o termo
"Maquiavelismo", que tem conotação negativa, quando se fala em
utilizar métodos escusos para obter determinados resultados. "Os fins
justificam os meios, e, por isto, vale tudo para atingir os fins
almejados, pensam algumas pessoas."
Neste caso podemos dizer que, assim como o bisturi é um instrumento
que pode ser utilizado para salvar vidas, mas também pode tirá-las,
muitas das idéias aqui apresentadas podem ser usadas de uma forma
positiva e útil nas organizações, como também de maneira negativa e
danosa nas mesmas. Vai depender ética e das intenções das pessoas que
irão utilizá-las.
Outra advertência que gostaríamos de mencionar é sobre a natureza do
comportamento humano. Seria ideal que pudéssemos desenvolver uma
teoria puramente humanista levando-se em conta que essencialmente as
pessoas são boas e têm sempre comportamentos louváveis e previsíveis.
No entanto, como nos alerta Maquiavel, devemos esquecer a fantasia ou
a imaginação e tratar apenas da realidade, indo atrás da verdade
efetiva das coisas.
Por isto, é necessário levar em conta um conjunto de fatores sobre o
comportamento dos profissionais dentro das organizações que não são
necessariamente dignos de elogios, mas que são a expressão da
realidade em muitos casos.
Seria desejável que as pessoas tivessem apenas virtudes como:
generosidade, fidelidade, piedade, coragem, franqueza, benevolência,
bom humor, entusiasmo, disposição física e mental, entre outras boas
qualidades. Mas a verdade é que encontramos também avareza, crueldade,
covardia, pusilanimidade, truculência, superficialidade, inveja,
cobiça, ambição desmedida, perversidade, intrigas e muitos outros
desvios de personalidade.
Desta forma, o líder precisar levar em conta todas estas
possibilidades de comportamentos. Muitas pessoas dentro das
organizações chegam mesmo a precisar de algum tipo de tratamento e, no
entanto, continuam trabalhando normalmente e desta forma prejudicando
seus colegas de trabalho e os objetivos da organização. Por isto, às
vezes será necessário tomar decisões duras e difíceis que desagradarão
alguns, mas que serão benéficas para muitos.
Na obra "O Príncipe", escrita no início do século XVI, Maquiavel
desenvolve um estudo sobre a natureza das ações dos "príncipes", termo
que utilizava para designar todo mandatário que dirigia um país,
região ou província independente, e do comportamento de seus
liderados. O autor elaborou um verdadeiro tratado sobre como chegar ao
poder e, mais importante, manter-se nele, de maneira eficaz. A partir
da análise do comportamento humano, mostrou como um líder pode
utilizar o conhecimento da natureza humana para influenciar as ações
de seus liderados.
Através do conhecimento de obras clássicas cujos princípios
sobreviveram através dos séculos é possível obter muita sabedoria e
aplica-las nos dias atuais. Este é o caso dos consultores americanos,
Al Ries e Jack Trout, que lançaram em 1986 o livro "Marketing de
Guerra", onde desenvolveram a tese do posicionamento tático
estratégico das empresas frente à concorrência.
Suas idéias foram baseadas nas teses do General Prussiano Karl Von
Clausewitz, em seu tratado "On War" (1832), texto obrigatório nas
principais academias militares do mundo. Neste livro, os autores
demonstram de forma inteligente como é possível às organizações
utilizarem os mesmos princípios da guerra convencional para alcançarem
sucesso frente à concorrência.
Assim como o estudo das teses de Clausewitz permitiu que seus
princípios fossem utilizados com sucesso pelas organizações a partir
da analogia entre a guerra convencional e a batalha entre as empresas,
também entendemos que muitas das idéias de Maquiavel, nesta obra,
poderão ser úteis aos lideres nas corporações. Tanto em empresas
públicas como nas privadas, e em diversas outras instituições, a
difícil missão de liderar pessoas e obter o melhor resultado do
trabalho delas poderá ser facilitada pela utilização das idéias aqui
apresentadas.
Existem muitas questões sobre liderança, analisadas por Maquiavel em
sua obra, que continuam incomodando executivos, diretores, gerentes e
demais lideres empresarias na maioria das corporações atuais. Muitos
dos conceitos abordados em sua obra "casam como uma luva" nas
organizações, atualmente. Outros precisam de certas adaptações.
Para exemplificar podemos citar os títulos de alguns dos capítulos da
obra "O Príncipe":
· As qualidades pelas quais os homens, sobretudo os príncipes, são
louvados ou censurados.
· A generosidade e parcimônia.
· A crueldade e a clemência: se é melhor ser amado do que temido, ou o
contrário.
· Como evitar o desprezo e o ódio.
· Como um príncipe deve agir para ser estimado.
· Como evitar os aduladores.
O desafio de adaptar muitos destes conceitos à realidade das
organizações atual, é, em parte, facilitado por ser a obra de
Maquiavel um texto universal o suficiente para ter atravessado cinco
séculos de história mantendo-se válido para uma grande gama de
situações políticas e sociais. No entanto, no contexto em que
apresentamos foi necessário fazer a adaptação para a área
organizacional.
Nesta obra Maquiavel nos apresenta um estudo sobre a natureza humana
isento de preconceitos e ética, o que nos obriga a também realizar uma
análise sobre estes aspectos para melhor contextualiza-los em nossa
realidade atual e utilizá-los de maneira útil para as pessoas e
organizações.
Nos próximos capítulos estaremos fazendo exatamente isto: analisando
passo a passo a obra "O Príncipe", e extraindo as idéias que poderão
ser utilizadas de maneira eficaz pelos lideres organizacionais, ou
seja, diretores, executivos, chefes, gerentes, supervisores e demais
cargos de chefia dentro das organizações para conseguir uma melhor
produtividade de seus colaboradores.
Acreditamos que este estudo poderá contribuir de maneira efetiva e
gerar um impacto positivo no resultado almejado pelos lideres
organizacionais. No entanto fica um sinal de alerta: Maquiavel se
isentou de considerações éticas na defesa de muitas de suas teses, por
isto, solicitamos a todos que farão uso destas poderosas idéias, que
possam guiar-se pelas melhores intenções para o bem das organizações e
das pessoas que nelas trabalham, tendo como juiz sua própria
consciência.
Ari Lima
cont...@arilima.com
Blog http://ari-lima.blogspot.com
Participe do grupo de discussão sobre liderança
http://groups.google.com.br/group/a-liderança
Obs.
A partir dos próximos dias estaremos publicando sequencialmente cada
um dos dezessete capítulos que compõem esta obra, que esperamos possam
contribuir para esclarecer e ajudar na difícil tarefa de liderar
Marcadores:
GESTÃO,
LIDER,
MAQUIAVEL,
MARKETING PESSOAL
A LIDERANÇA SEGUNDO MAQUIAVEL
A Liderança Segundo Maquiavel
Capítulo 1 - Como foi adquirido a liderança
A primeira análise em relação aos desafios que espera o Líder é saber
de que forma este cargo, ou liderança, foi conquistado. Alguns são
conquistados por merecimento, outros por indicação de alguém. Existe a
liderança surgida dentro do próprio grupo, e outras vindas de fora. Há
aquelas conquistadas por uma articulação do próprio Líder, com métodos
não convencionais ou escusos, assim como outras surgem pela própria
estrutura da organização que prevê uma ascensão por tempo de serviço
ou com outro critério estipulado por regras.
Em cada caso haverá um grau de dificuldade, sendo que dependendo como
a equipe que perceber a chegada do novo Líder, poderá aceita-lo ou não
mais facilmente. Existem casos em que o novo Líder assume com grande
prestígio e todos sentem uma honra e grande motivação em fazer parte
de sua equipe. Em outros casos sua chegada é recebida com desconfiança
ou até mesmo com reações contrárias, o que promete criar grandes
problemas de adaptação na função de comando.
Uma das principais qualidades esperada de um Líder é o conhecimento
profundo da natureza humana, para perceber e entender qual é sua
situação inicial frente aos comandados. De que forma está sendo
percebido e como será aceito pelo grupo. Existe uma excelente
ferramenta gerencial que pode ser utilizada pelo novo líder para
conhecer a opinião da equipe sobre ele mesmo, que é a "janela de
Johari". Este modelo foi criada por dois psicólogos americanos, Joseph
Luft e Harrington Ingham, há cerca de 50 anos, que mostra a interação
entre nossa auto-percepção e a maneira como os outros nos vêem.
A Janela de Johari é dividida em quatro quadrantes, veremos a seguir o
que significa cada um destas partes.
EU PÚBLICO - Este primeiro quadrante, chamado de eu aberto ou eu
público, é formado por sua auto percepção e pela maneira como os
outros percebem você.
EU FECHADO - Esta é nossa área secreta, neste quadrante estão
incluídas as informações e características pessoais que somente você
conhece sobre si mesmo. E só você mesmo é quem pode decidir o que irá
revelar ou não aos outros.
EU CEGO - Esta é nossa área cega. Aquela área de nossa vida que
desconhecemos em relação ao que os outros percebem de nós. Quando
temos um baixo nível de relacionamento interpessoal, a tendência é que
as pessoas não exponham o que pensam de nós, e com isso ficamos sem
ter feedback.
EU DESCONHECIDO - O eu desconhecido compreende o campo de nosso
inconsciente, daquilo que tanto você desconhece sobre si mesmo, como
também os outros desconhecem sobre você.
É fundamental que os lideres trabalhem melhor o auto-conhecimento,
procurando ampliar a área do eu público e diminuir as áreas do eu
cego, do eu fechado e do eu desconhecido. Procure está atendo às
reações e comportamento das pessoas e solicite sempre que possível
opiniões e feedback às pessoas de sua confiança.
Assim como para conhecer a natureza do líder é preciso ser um membro
da base organizacional, também para conhecer a natureza dos membros da
base organizacional é preciso pensar como um líder.
Maquiavel ilustra este ponto com a seguinte observação: O pintor que
desenha uma paisagem, de baixo observa o contorno das montanhas e de
tudo o que está no alto, enquanto do alto observa tudo que está
embaixo. Da mesma forma, para conhecer bem a natureza do povo, é
necessário ser príncipe, para conhecer a natureza do príncipe, é
necessário pertencer ao povo.
Em função da realidade que encontrar no contexto de sua área de
comando, o Líder terá maiores ou menores problemas, e é fundamental
que possa percebê-los desde o princípio, pois: "como dizem os médicos
sobre a tuberculose, no início o mal é fácil de curar e difícil de
diagnosticar. Mas, como o passar do tempo, não tendo sido nem
reconhecida nem medicada, torna-se fácil de diagnosticar e difícil de
curar. O mesmo sucede nos assuntos de estado. Prevenindo-se os males
que nascem, o que só é permitido a um sábio, estes são curados
rapidamente. Mas, quando se permite que cresçam, por não havê-los
previsto, todos os reconhecem, porem não há mais remédio."
Dessa forma, deve um líder estar atento às condições de aceitação que
encontrar em sua equipe de trabalho e de seus assessores mais
próximos, para poder desde o inicio prever as situações críticas e
poder administrá-las adequadamente.
À medida que o líder observar que sua condição está sendo questionada,
ou porque nutrem temor de mudanças indesejadas, ou porque sentem a
falta da liderança anterior, ou porque discordam do método utilizado
para a escolha do novo comando, serão necessárias ações rápidas. O
novo líder precisa demonstrar o mais cedo possível e de forma
inquestionável sua competência e aptidão para o cargo.
Concluímos dizendo que o primeiro grande desafio de um Líder é
conhecer profundamente o perfil psicológico de seus comandados, bem
como o grau de aceitação que tem em relação aos mesmos, para poder
saber o real poder de influencia e comando que goza junto a esta
equipe.
Ari Lima
31 9918 1900
cont...@arilima.com
Visite nosso grupo de discussão:
http://groups.google.com.br/group/a-lideranca
Obs.
Estaremos publicando sequencialmente, nos próximos dias, cada um dos
dezessete capítulos que compõem esta obra, que esperamos possam
contribuir para esclarecer e ajudar na difícil tarefa de liderar
pessoas.
Capítulo 1 - Como foi adquirido a liderança
A primeira análise em relação aos desafios que espera o Líder é saber
de que forma este cargo, ou liderança, foi conquistado. Alguns são
conquistados por merecimento, outros por indicação de alguém. Existe a
liderança surgida dentro do próprio grupo, e outras vindas de fora. Há
aquelas conquistadas por uma articulação do próprio Líder, com métodos
não convencionais ou escusos, assim como outras surgem pela própria
estrutura da organização que prevê uma ascensão por tempo de serviço
ou com outro critério estipulado por regras.
Em cada caso haverá um grau de dificuldade, sendo que dependendo como
a equipe que perceber a chegada do novo Líder, poderá aceita-lo ou não
mais facilmente. Existem casos em que o novo Líder assume com grande
prestígio e todos sentem uma honra e grande motivação em fazer parte
de sua equipe. Em outros casos sua chegada é recebida com desconfiança
ou até mesmo com reações contrárias, o que promete criar grandes
problemas de adaptação na função de comando.
Uma das principais qualidades esperada de um Líder é o conhecimento
profundo da natureza humana, para perceber e entender qual é sua
situação inicial frente aos comandados. De que forma está sendo
percebido e como será aceito pelo grupo. Existe uma excelente
ferramenta gerencial que pode ser utilizada pelo novo líder para
conhecer a opinião da equipe sobre ele mesmo, que é a "janela de
Johari". Este modelo foi criada por dois psicólogos americanos, Joseph
Luft e Harrington Ingham, há cerca de 50 anos, que mostra a interação
entre nossa auto-percepção e a maneira como os outros nos vêem.
A Janela de Johari é dividida em quatro quadrantes, veremos a seguir o
que significa cada um destas partes.
EU PÚBLICO - Este primeiro quadrante, chamado de eu aberto ou eu
público, é formado por sua auto percepção e pela maneira como os
outros percebem você.
EU FECHADO - Esta é nossa área secreta, neste quadrante estão
incluídas as informações e características pessoais que somente você
conhece sobre si mesmo. E só você mesmo é quem pode decidir o que irá
revelar ou não aos outros.
EU CEGO - Esta é nossa área cega. Aquela área de nossa vida que
desconhecemos em relação ao que os outros percebem de nós. Quando
temos um baixo nível de relacionamento interpessoal, a tendência é que
as pessoas não exponham o que pensam de nós, e com isso ficamos sem
ter feedback.
EU DESCONHECIDO - O eu desconhecido compreende o campo de nosso
inconsciente, daquilo que tanto você desconhece sobre si mesmo, como
também os outros desconhecem sobre você.
É fundamental que os lideres trabalhem melhor o auto-conhecimento,
procurando ampliar a área do eu público e diminuir as áreas do eu
cego, do eu fechado e do eu desconhecido. Procure está atendo às
reações e comportamento das pessoas e solicite sempre que possível
opiniões e feedback às pessoas de sua confiança.
Assim como para conhecer a natureza do líder é preciso ser um membro
da base organizacional, também para conhecer a natureza dos membros da
base organizacional é preciso pensar como um líder.
Maquiavel ilustra este ponto com a seguinte observação: O pintor que
desenha uma paisagem, de baixo observa o contorno das montanhas e de
tudo o que está no alto, enquanto do alto observa tudo que está
embaixo. Da mesma forma, para conhecer bem a natureza do povo, é
necessário ser príncipe, para conhecer a natureza do príncipe, é
necessário pertencer ao povo.
Em função da realidade que encontrar no contexto de sua área de
comando, o Líder terá maiores ou menores problemas, e é fundamental
que possa percebê-los desde o princípio, pois: "como dizem os médicos
sobre a tuberculose, no início o mal é fácil de curar e difícil de
diagnosticar. Mas, como o passar do tempo, não tendo sido nem
reconhecida nem medicada, torna-se fácil de diagnosticar e difícil de
curar. O mesmo sucede nos assuntos de estado. Prevenindo-se os males
que nascem, o que só é permitido a um sábio, estes são curados
rapidamente. Mas, quando se permite que cresçam, por não havê-los
previsto, todos os reconhecem, porem não há mais remédio."
Dessa forma, deve um líder estar atento às condições de aceitação que
encontrar em sua equipe de trabalho e de seus assessores mais
próximos, para poder desde o inicio prever as situações críticas e
poder administrá-las adequadamente.
À medida que o líder observar que sua condição está sendo questionada,
ou porque nutrem temor de mudanças indesejadas, ou porque sentem a
falta da liderança anterior, ou porque discordam do método utilizado
para a escolha do novo comando, serão necessárias ações rápidas. O
novo líder precisa demonstrar o mais cedo possível e de forma
inquestionável sua competência e aptidão para o cargo.
Concluímos dizendo que o primeiro grande desafio de um Líder é
conhecer profundamente o perfil psicológico de seus comandados, bem
como o grau de aceitação que tem em relação aos mesmos, para poder
saber o real poder de influencia e comando que goza junto a esta
equipe.
Ari Lima
31 9918 1900
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Visite nosso grupo de discussão:
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Obs.
Estaremos publicando sequencialmente, nos próximos dias, cada um dos
dezessete capítulos que compõem esta obra, que esperamos possam
contribuir para esclarecer e ajudar na difícil tarefa de liderar
pessoas.
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GESTÃO,
LIDERANÇA,
MAQUIAVEL,
MARKETING PESSOAL
A LIDERANÇA SEGUINDO MAQUIAVEL 2
Capítulo 2 - Cargos conquistados com recursos próprios e qualidades
pessoais
Ao conquistar um cargo de chefia dentro de uma organização, o novo
Líder precisa realizar uma serie de analises para poder situar-se
naquele novo contexto. Em primeiro lugar, é necessário conhecer o
histórico de quem conduziu o cargo no passado, e saber diferenciar as
ações que obtiveram sucesso daquelas que fracassaram, procurando
imitar em seus antecessores as experiências bem sucedidas. "Deve um
homem prudente utilizar os caminhos já traçados pelos grandes".
Também é preciso conhecer bem o perfil individual e coletivo da equipe
que irá trabalhar diretamente, "seu exército particular", e também a
cultura daquela organização como um todo. O resultado de seu trabalho
e de sua liderança está intimamente relacionado ao poder de influência
do líder sobre aquela equipe.
Em geral, um líder novo enfrenta maiores ou menores dificuldades
dependendo de suas virtudes e da conjuntura dos aspectos subjetivos do
novo cargo, o que Maquiavel costumava chamar de "Sorte". O Líder que
depender menos da Sorte e mais das suas virtudes, terá maiores chances
de sucesso.
Um dos principais riscos do novo líder certamente é a introdução de
novas regras ao assumir o cargo, pois geralmente ocorrerá uma forte
resistência por parte daqueles que se beneficiavam com as normas
antigas, assim como será frágil a defesa das novas regras pelos demais
colaboradores uma vez que ainda não conhecem e não crêem na eficácia
das novas leis.
Por esta razão, é necessário saber se o novo Líder dependerá apenas de
si próprio para implantar as novas regras, ou se terá que persuadir
seus colaboradores para viabilizar as inovações. No primeiro caso, é
preciso ter certeza de que terá força e autoridade para implantá-las
por tempo suficiente até que surtam efeito positivo sobre o sistema.
Caso contrário terá que desenvolver uma estratégia para convencer e
persuadir seus colaboradores por tempo suficiente para que o sistema
comece a funcionar de maneira adequada.
É preciso levar em conta o seguinte: "em geral a natureza das pessoas
é volúvel; É fácil persuadi-los de alguma coisa, mas é difícil mantê-
los persuadidos. Convém organizar-se de modo a que, quando não
acreditam mais, possa-se fazê-los acreditar com algum tipo de força."
Ao assumir um cargo de chefia o novo Líder deve procurar basear suas
ações muito mais nas próprias competências do que nas condições
encontradas no ambiente, na sorte e na promessa de apoio das pessoas.
Também é preciso ter certeza da própria força e autoridade que o cargo
lhe confere para poder introduzir inovações e mudanças de regras que
certamente poderão desagradar parte de seus colaboradores.
Alem do conhecimento específico de sua área de atuação, algumas
competências serão fundamentais para consolidar a posição do novo
Líder. Capacidade de motivar a si mesmo e aos outros, comunicação e
relacionamento interpessoais, bom humor, habilidade de negociação,
capacidade de trabalhar em equipe, firmeza de propósitos e disposição
para enfrentar dificuldades.
Todas estas são competências que podem ser desenvolvidas mediante
estudo, treinamento e força de vontade. O Líder tem de dar, sobretudo,
o exemplo de comportamento que deve ser seguido por toda a equipe.
Precisa exigir estas competências de todos os membros da equipe, para
que possam ser produtivos, por isto, o exemplo a ser seguido é o seu
próprio exemplo.
Quanto mais rápido o Líder consolidar sua posição de liderança, mais
fácil será mantê-la. Se, como diz a linguagem popular, há cargos em
que é preciso "matar um tigre todo dia, quanto maior o tigre que se
matar no inicio de sua liderança, menores serão os tigres que serão
preciso matar diariamente, para conservá-la."
Existe uma tendência a se fazer comparações entre o Líder antigo e o
novo Líder. Por isto é preciso conhecer o histórico das ações da
gestão anterior, primeiro para não cometer os mesmos erros, e segundo
para, copiando os acertos, procurar ter um estilo diferenciado para
não ser taxado de imitador.
Uma outra preocupação é com os "secretários" do Líder anterior.
Aquelas pessoas que, por lealdade ou mesmo involuntariamente, podem
tentar dificultar o trabalho do no Líder. É fundamental cercar-se de
pessoas de confiança nas posições estratégicas para evitar ter o seu
trabalho prejudicado.
Concluímos dizendo que o novo Líder deve basear seu poder de liderança
em suas próprias competências e virtudes pessoais, e nos sistema de
regras e procedimentos gerenciais que implantar mais do que na
confiança no poder do cargo ou do apoio de pessoas alheias as sua
vontade e poder de influencia.
Ari Lima
31 9918 1900
cont...@arilima.com
Visite nosso grupo de discussão:
http://groups.google.com.br/group/a-lideranca
Obs.
Estaremos publicando sequencialmente, nos próximos dias, cada um dos
dezessete capítulos que compõem esta obra, que esperamos possam
contribuir para esclarecer e ajudar na difícil tarefa de liderar
pessoas.
pessoais
Ao conquistar um cargo de chefia dentro de uma organização, o novo
Líder precisa realizar uma serie de analises para poder situar-se
naquele novo contexto. Em primeiro lugar, é necessário conhecer o
histórico de quem conduziu o cargo no passado, e saber diferenciar as
ações que obtiveram sucesso daquelas que fracassaram, procurando
imitar em seus antecessores as experiências bem sucedidas. "Deve um
homem prudente utilizar os caminhos já traçados pelos grandes".
Também é preciso conhecer bem o perfil individual e coletivo da equipe
que irá trabalhar diretamente, "seu exército particular", e também a
cultura daquela organização como um todo. O resultado de seu trabalho
e de sua liderança está intimamente relacionado ao poder de influência
do líder sobre aquela equipe.
Em geral, um líder novo enfrenta maiores ou menores dificuldades
dependendo de suas virtudes e da conjuntura dos aspectos subjetivos do
novo cargo, o que Maquiavel costumava chamar de "Sorte". O Líder que
depender menos da Sorte e mais das suas virtudes, terá maiores chances
de sucesso.
Um dos principais riscos do novo líder certamente é a introdução de
novas regras ao assumir o cargo, pois geralmente ocorrerá uma forte
resistência por parte daqueles que se beneficiavam com as normas
antigas, assim como será frágil a defesa das novas regras pelos demais
colaboradores uma vez que ainda não conhecem e não crêem na eficácia
das novas leis.
Por esta razão, é necessário saber se o novo Líder dependerá apenas de
si próprio para implantar as novas regras, ou se terá que persuadir
seus colaboradores para viabilizar as inovações. No primeiro caso, é
preciso ter certeza de que terá força e autoridade para implantá-las
por tempo suficiente até que surtam efeito positivo sobre o sistema.
Caso contrário terá que desenvolver uma estratégia para convencer e
persuadir seus colaboradores por tempo suficiente para que o sistema
comece a funcionar de maneira adequada.
É preciso levar em conta o seguinte: "em geral a natureza das pessoas
é volúvel; É fácil persuadi-los de alguma coisa, mas é difícil mantê-
los persuadidos. Convém organizar-se de modo a que, quando não
acreditam mais, possa-se fazê-los acreditar com algum tipo de força."
Ao assumir um cargo de chefia o novo Líder deve procurar basear suas
ações muito mais nas próprias competências do que nas condições
encontradas no ambiente, na sorte e na promessa de apoio das pessoas.
Também é preciso ter certeza da própria força e autoridade que o cargo
lhe confere para poder introduzir inovações e mudanças de regras que
certamente poderão desagradar parte de seus colaboradores.
Alem do conhecimento específico de sua área de atuação, algumas
competências serão fundamentais para consolidar a posição do novo
Líder. Capacidade de motivar a si mesmo e aos outros, comunicação e
relacionamento interpessoais, bom humor, habilidade de negociação,
capacidade de trabalhar em equipe, firmeza de propósitos e disposição
para enfrentar dificuldades.
Todas estas são competências que podem ser desenvolvidas mediante
estudo, treinamento e força de vontade. O Líder tem de dar, sobretudo,
o exemplo de comportamento que deve ser seguido por toda a equipe.
Precisa exigir estas competências de todos os membros da equipe, para
que possam ser produtivos, por isto, o exemplo a ser seguido é o seu
próprio exemplo.
Quanto mais rápido o Líder consolidar sua posição de liderança, mais
fácil será mantê-la. Se, como diz a linguagem popular, há cargos em
que é preciso "matar um tigre todo dia, quanto maior o tigre que se
matar no inicio de sua liderança, menores serão os tigres que serão
preciso matar diariamente, para conservá-la."
Existe uma tendência a se fazer comparações entre o Líder antigo e o
novo Líder. Por isto é preciso conhecer o histórico das ações da
gestão anterior, primeiro para não cometer os mesmos erros, e segundo
para, copiando os acertos, procurar ter um estilo diferenciado para
não ser taxado de imitador.
Uma outra preocupação é com os "secretários" do Líder anterior.
Aquelas pessoas que, por lealdade ou mesmo involuntariamente, podem
tentar dificultar o trabalho do no Líder. É fundamental cercar-se de
pessoas de confiança nas posições estratégicas para evitar ter o seu
trabalho prejudicado.
Concluímos dizendo que o novo Líder deve basear seu poder de liderança
em suas próprias competências e virtudes pessoais, e nos sistema de
regras e procedimentos gerenciais que implantar mais do que na
confiança no poder do cargo ou do apoio de pessoas alheias as sua
vontade e poder de influencia.
Ari Lima
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Estaremos publicando sequencialmente, nos próximos dias, cada um dos
dezessete capítulos que compõem esta obra, que esperamos possam
contribuir para esclarecer e ajudar na difícil tarefa de liderar
pessoas.
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MARKETING PESSOAL
A LIDERANÇA SEGUNDO MAQUIAVEL - 2
Capítulo 3 - Cargos conquistados por influencias externas
independentes das virtudes do Líder
O Líder que recebe o cargo independente de sua competência, por sorte
ou influencia externa, deve se preparar para viver momentos de
dificuldades até consolidar sua liderança. Este é o tipo de comando
que se ganha com facilidade, mas normalmente se mantém com grande
esforço. Em geral, neste caso o Líder será bastante questionado em seu
comando, e terá de mostrar rapidamente suas virtudes, capacidade de
liderança e competência profissional.
É comum em empresas públicas e também em organizações privadas um
profissional assumir determinado cargo de chefia através da influência
de um amigo poderoso, através de uma troca de favores, ou mesmo por
uma conjugação de fatores que não levam em conta a competência e as
virtudes do novo Líder.
São duas as principais dificuldades que se apresentarão nestas
circunstancias para o novo Líder. Em primeiro lugar, ou sua força
baseia-se no poder de quem lhes deu o cargo, neste caso não têm
autoridade própria, ou pior ainda, seu poder veio através das
condições do destino e da sorte, fatores difíceis de serem
controlados. A outra dificuldade surge em razão da pouca cooperação
espontânea que receberá de seus novos comandados, em função justamente
da precária legitimidade que têm pela maneira como conquistou o
cargo.
De todo modo, impõe-se a necessidade de construir rapidamente as bases
que tornem possível consolidar sua liderança. A dificuldade surge
justamente porque, assim como toda construção precisa de fundações
sólidas para apoiar o peso dos andares que virão, um Líder que não
pôde construir suas bases antes de assumir o comando terá dificuldades
para receber apoio no inicio da gestão. A falta de apoio e poder
exigirá muito esforço para fazer valer sua autoridade e para implantar
as medidas necessárias à sua gestão.
Em razão destas condições adversas, o novo Líder precisará
desenvolver, além de um ânimo bastante forte, duas condições
essenciais que lhe permitirão iniciar sua gestão com as condições
necessárias para obter sucesso. Inicialmente precisa negociar um apoio
externo ao cargo, que lhe permita ter a autoridade mínima necessária
para se impor nos primeiros momentos. Em seguida, o Líder precisa
conquistar a confiança de alguns membros chaves da equipe para que
possa construir um núcleo de adesão dentro do grupo que irá comandar.
Este núcleo de apoio servirá de interface entre o novo Líder e a
equipe como um todo, enviando mensagens e obtendo feedback de maneira
segura e confiável. O grupo de confiança poderá identificar os
problemas de adaptação, as pessoas insatisfeitas, os adversários da
nova gestão e as principais expectativas dos comandados.
Um grande conselho de Maquiavel é o seguinte: o novo Líder deve
procurar fazer todas as ofensas, ou seja, realizar as medidas difíceis
e impopulares necessárias à nova gestão todas de uma vez, para que não
precise renová-las todos os dias e poder, ao não repeti-las, dar
confiança aos seus colaboradores com outros benefícios. Segundo
Maquiavel, "quem age de outra forma, ou por timidez ou mau conselho,
precisa estar sempre com o punhal na mão". E continua, " Pois as
injúrias devem ser feitas todas de uma só vez, para que, durando pouco
tempo marquem menos. Os benefícios devem ser feitos pouco a pouco para
serem melhor saboreados."
Mesmo não tendo conquistado o cargo com virtudes próprias, será
fundamental ao novo Líder um conjunto de competências para vencer as
dificuldades e barreiras iniciais. Principalmente a capacidade de
comunicação e relacionamento interpessoais, assim como uma boa
habilidade em negociação será fundamental neste momento. Não tendo
estas competências, e não tendo legitimidade, o novo Líder ficará
totalmente dependente da autoridade externa para se manter no cargo e
o mais provável é que venha a ter uma gestão bastante incompetente.
Uma das principais prioridades do novo Líder deve ser conquistar o
maior numero de amizades e bons relacionamentos entre seus comandados,
pois estes serão fundamentais nas adversidades que poderão surgir no
decorrer de sua gestão. Alem disto, precisa negociar acordos e apoios
com pessoas que tenham influência para poder apoiá-lo nos momentos
adversos.
Portanto concluímos dizendo ao Líder que se vê obrigado a assumir um
cargo de maneira alheia a sua própria competência, que deve preparar-
se para momentos difíceis. Mas que, se seguir os conselhos
apresentados anteriormente e superar a fase inicial de sua gestão, as
condições para se tornar um comandante de sucesso passam a ser as
mesmas de um Líder que conquistou o poder de maneira natural ou por
seus próprios meios.
Ari Lima
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Estaremos publicando sequencialmente, nos próximos dias, cada um dos
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contribuir para esclarecer e ajudar na difícil tarefa de liderar
pessoas.
v
independentes das virtudes do Líder
O Líder que recebe o cargo independente de sua competência, por sorte
ou influencia externa, deve se preparar para viver momentos de
dificuldades até consolidar sua liderança. Este é o tipo de comando
que se ganha com facilidade, mas normalmente se mantém com grande
esforço. Em geral, neste caso o Líder será bastante questionado em seu
comando, e terá de mostrar rapidamente suas virtudes, capacidade de
liderança e competência profissional.
É comum em empresas públicas e também em organizações privadas um
profissional assumir determinado cargo de chefia através da influência
de um amigo poderoso, através de uma troca de favores, ou mesmo por
uma conjugação de fatores que não levam em conta a competência e as
virtudes do novo Líder.
São duas as principais dificuldades que se apresentarão nestas
circunstancias para o novo Líder. Em primeiro lugar, ou sua força
baseia-se no poder de quem lhes deu o cargo, neste caso não têm
autoridade própria, ou pior ainda, seu poder veio através das
condições do destino e da sorte, fatores difíceis de serem
controlados. A outra dificuldade surge em razão da pouca cooperação
espontânea que receberá de seus novos comandados, em função justamente
da precária legitimidade que têm pela maneira como conquistou o
cargo.
De todo modo, impõe-se a necessidade de construir rapidamente as bases
que tornem possível consolidar sua liderança. A dificuldade surge
justamente porque, assim como toda construção precisa de fundações
sólidas para apoiar o peso dos andares que virão, um Líder que não
pôde construir suas bases antes de assumir o comando terá dificuldades
para receber apoio no inicio da gestão. A falta de apoio e poder
exigirá muito esforço para fazer valer sua autoridade e para implantar
as medidas necessárias à sua gestão.
Em razão destas condições adversas, o novo Líder precisará
desenvolver, além de um ânimo bastante forte, duas condições
essenciais que lhe permitirão iniciar sua gestão com as condições
necessárias para obter sucesso. Inicialmente precisa negociar um apoio
externo ao cargo, que lhe permita ter a autoridade mínima necessária
para se impor nos primeiros momentos. Em seguida, o Líder precisa
conquistar a confiança de alguns membros chaves da equipe para que
possa construir um núcleo de adesão dentro do grupo que irá comandar.
Este núcleo de apoio servirá de interface entre o novo Líder e a
equipe como um todo, enviando mensagens e obtendo feedback de maneira
segura e confiável. O grupo de confiança poderá identificar os
problemas de adaptação, as pessoas insatisfeitas, os adversários da
nova gestão e as principais expectativas dos comandados.
Um grande conselho de Maquiavel é o seguinte: o novo Líder deve
procurar fazer todas as ofensas, ou seja, realizar as medidas difíceis
e impopulares necessárias à nova gestão todas de uma vez, para que não
precise renová-las todos os dias e poder, ao não repeti-las, dar
confiança aos seus colaboradores com outros benefícios. Segundo
Maquiavel, "quem age de outra forma, ou por timidez ou mau conselho,
precisa estar sempre com o punhal na mão". E continua, " Pois as
injúrias devem ser feitas todas de uma só vez, para que, durando pouco
tempo marquem menos. Os benefícios devem ser feitos pouco a pouco para
serem melhor saboreados."
Mesmo não tendo conquistado o cargo com virtudes próprias, será
fundamental ao novo Líder um conjunto de competências para vencer as
dificuldades e barreiras iniciais. Principalmente a capacidade de
comunicação e relacionamento interpessoais, assim como uma boa
habilidade em negociação será fundamental neste momento. Não tendo
estas competências, e não tendo legitimidade, o novo Líder ficará
totalmente dependente da autoridade externa para se manter no cargo e
o mais provável é que venha a ter uma gestão bastante incompetente.
Uma das principais prioridades do novo Líder deve ser conquistar o
maior numero de amizades e bons relacionamentos entre seus comandados,
pois estes serão fundamentais nas adversidades que poderão surgir no
decorrer de sua gestão. Alem disto, precisa negociar acordos e apoios
com pessoas que tenham influência para poder apoiá-lo nos momentos
adversos.
Portanto concluímos dizendo ao Líder que se vê obrigado a assumir um
cargo de maneira alheia a sua própria competência, que deve preparar-
se para momentos difíceis. Mas que, se seguir os conselhos
apresentados anteriormente e superar a fase inicial de sua gestão, as
condições para se tornar um comandante de sucesso passam a ser as
mesmas de um Líder que conquistou o poder de maneira natural ou por
seus próprios meios.
Ari Lima
31 9918 1900
cont...@arilima.com
Visite nosso grupo de discussão:
http://groups.google.com.br/group/a-lideranca
Obs.
Estaremos publicando sequencialmente, nos próximos dias, cada um dos
dezessete capítulos que compõem esta obra, que esperamos possam
contribuir para esclarecer e ajudar na difícil tarefa de liderar
pessoas.
v
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LIDER,
LIDERANÇA,
MAQUIAVEL,
MARKETING PESSOAL
O PRÍNCIPE - ÍNDICE
O PRÍNCIPE
Maquiavel
AO MAGNÍFICO LORENZO DE MEDICI
NICOLÓ MACHIAVELLI
ÍNDICE
DOS PRINCIPADOS
Capítulo II. Dos principados hereditários
Capítulo III. Dos principados mistos
Capítulo IV. Por que o reino de Dario, ocupado por Alexandre, não se
rebelou contra seus sucessores após a morte deste
Capítulo V. De que modo se devam governar as cidades ou principados
que, antes de serem ocupados, viviam com as suas próprias leis
Capítulo VI. Dos principados novos que se conquistam com as armas
próprias e virtuosamente
Capítulo VII. Dos principados novos que se conquistam com as armas e
fortuna dos outros
Capítulo VIII. Dos que chegaram ao principado por meio de crimes
Capítulo IX. Do principado civil
Capítulo X. Como se devem medir as forças de todos os principados
Capítulo XI. Dos principados eclesiásticos
Capítulo XII. De quantas espécies são as milícias, e dos soldados
mercenários
Capítulo XIII. Dos soldados auxiliares, mistos e próprios
Capítulo XIV. O que compete a um príncipe acerca da milícia(tropa)
Capítulo XV. Daquelas coisas pelas quais os homens, e especialmente os
príncipes, são louvados ou vituperados .
Capítulo XVI. Da liberalidade e da parcimônia
Capítulo XVII. Da crueldade e da piedade; se é melhor ser amado que
temido, ou antes temido que amado
Capítulo XVIII. De que modo os príncipes devem manter a fé da palavra
dada
Capítulo XIX. De como se deva evitar o ser desprezado e odiado
Capítulo XX. Se as fortalezas e muitas outras coisas que a cada dia
são feitas pelos príncipes são úteis ou não
Capítulo XXI. O que convém a um príncipe para ser estimado
Capítulo XXII. Dos secretários que os príncipes têm junto de si
Capítulo XXIII. Como se afastam os aduladores
Capítulo XXIV. Por que os príncipes da Itália perderam seus estados
Capítulo XXV. De quanto pode a fortuna nas coisas humanas e de que
modo se lhe deva resistir
Capítulo XXVI. Exortação para procurar tomar a Itália e libertá-la das
mãos dos bárbaros
Carta de Machiavelli a Francesco Vettori, em Roma
Maquiavel
AO MAGNÍFICO LORENZO DE MEDICI
NICOLÓ MACHIAVELLI
ÍNDICE
DOS PRINCIPADOS
Capítulo II. Dos principados hereditários
Capítulo III. Dos principados mistos
Capítulo IV. Por que o reino de Dario, ocupado por Alexandre, não se
rebelou contra seus sucessores após a morte deste
Capítulo V. De que modo se devam governar as cidades ou principados
que, antes de serem ocupados, viviam com as suas próprias leis
Capítulo VI. Dos principados novos que se conquistam com as armas
próprias e virtuosamente
Capítulo VII. Dos principados novos que se conquistam com as armas e
fortuna dos outros
Capítulo VIII. Dos que chegaram ao principado por meio de crimes
Capítulo IX. Do principado civil
Capítulo X. Como se devem medir as forças de todos os principados
Capítulo XI. Dos principados eclesiásticos
Capítulo XII. De quantas espécies são as milícias, e dos soldados
mercenários
Capítulo XIII. Dos soldados auxiliares, mistos e próprios
Capítulo XIV. O que compete a um príncipe acerca da milícia(tropa)
Capítulo XV. Daquelas coisas pelas quais os homens, e especialmente os
príncipes, são louvados ou vituperados .
Capítulo XVI. Da liberalidade e da parcimônia
Capítulo XVII. Da crueldade e da piedade; se é melhor ser amado que
temido, ou antes temido que amado
Capítulo XVIII. De que modo os príncipes devem manter a fé da palavra
dada
Capítulo XIX. De como se deva evitar o ser desprezado e odiado
Capítulo XX. Se as fortalezas e muitas outras coisas que a cada dia
são feitas pelos príncipes são úteis ou não
Capítulo XXI. O que convém a um príncipe para ser estimado
Capítulo XXII. Dos secretários que os príncipes têm junto de si
Capítulo XXIII. Como se afastam os aduladores
Capítulo XXIV. Por que os príncipes da Itália perderam seus estados
Capítulo XXV. De quanto pode a fortuna nas coisas humanas e de que
modo se lhe deva resistir
Capítulo XXVI. Exortação para procurar tomar a Itália e libertá-la das
mãos dos bárbaros
Carta de Machiavelli a Francesco Vettori, em Roma
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MAQUIAVEL AO MAGNIFICO LOREZO DE MÉDICI
O PRÍNCIPE
Costumam, o mais das vezes, aqueles que desejam conquistar as graças
de um Príncipe, trazer-lhe aquelas coisas que consideram mais caras ou
nas quais o vejam encontrar deleite, donde se vê amiúde serem a ele
oferecidos cavalos, armas, tecidos de ouro, pedras preciosas e outros
ornamentos semelhantes, dignos de sua grandeza. Desejando eu,
portanto, oferecer-me a Vossa Magnificência com um testemunho qualquer
de minha submissão, não encontrei entre os meus cabedais coisa a mim
mais cara ou que tanto estime, quanto o conhecimento das ações dos
grandes homens apreendido através de uma longa experiência das coisas
modernas e uma contínua lição das antigas as quais tendo, com grande
diligência, longamente perscrutado e examinado e, agora, reduzido a um
pequeno volume, envio a Vossa Magnificência.
E se bem julgue esta obra indigna da presença de Vossa Magnificência,
não menos confio que deva ela ser aceita, considerado que de minha
parte não lhe possa ser feito maior oferecimento senão o dar-lhe a
faculdade de poder, em tempo assaz breve, compreender tudo aquilo que
eu, em tantos anos e com tantos incômodos e perigos, vim a conhecer.
Não ornei este trabalho, nem o enchi de períodos sonoros ou de
palavras pomposas e magníficas, ou de qualquer outra figura de
retórica ou ornamento extrínseco, com os quais muitos costumam
desenvolver e enfeitar suas obras; e isto porque não quero que outra
coisa o valorize, a não ser a variedade da matéria e a gravidade do
assunto a tornarem-no agradável. Nem desejo se considere presunção se
um homem de baixa e ínfima condição ousa discorrer e estabelecer
regras a respeito do governo dos príncipes: assim como aqueles que
desenham a paisagem se colocam nas baixadas para considerar a natureza
dos montes e das altitudes e, para observar aquelas, se situam em
posição elevada sobre os montes, também, para bem conhecer o caráter
do povo, é preciso ser príncipe e, para bem entender o do príncipe, é
preciso ser do povo. Receba, pois, Vossa Magnificência este pequeno
presente com aquele intuito com que o mando; nele, se diligentemente
considerado e lido, encontrará o meu extremo desejo de que lhe advenha
aquela grandeza que a fortuna e as outras suas qualidades lhe
prometem. E se Vossa Magnificência, das culminâncias em que se
encontra, alguma vez volver os olhos para baixo, notará quão
imerecidamente suporto um grande e contínuo infortúnio.
Costumam, o mais das vezes, aqueles que desejam conquistar as graças
de um Príncipe, trazer-lhe aquelas coisas que consideram mais caras ou
nas quais o vejam encontrar deleite, donde se vê amiúde serem a ele
oferecidos cavalos, armas, tecidos de ouro, pedras preciosas e outros
ornamentos semelhantes, dignos de sua grandeza. Desejando eu,
portanto, oferecer-me a Vossa Magnificência com um testemunho qualquer
de minha submissão, não encontrei entre os meus cabedais coisa a mim
mais cara ou que tanto estime, quanto o conhecimento das ações dos
grandes homens apreendido através de uma longa experiência das coisas
modernas e uma contínua lição das antigas as quais tendo, com grande
diligência, longamente perscrutado e examinado e, agora, reduzido a um
pequeno volume, envio a Vossa Magnificência.
E se bem julgue esta obra indigna da presença de Vossa Magnificência,
não menos confio que deva ela ser aceita, considerado que de minha
parte não lhe possa ser feito maior oferecimento senão o dar-lhe a
faculdade de poder, em tempo assaz breve, compreender tudo aquilo que
eu, em tantos anos e com tantos incômodos e perigos, vim a conhecer.
Não ornei este trabalho, nem o enchi de períodos sonoros ou de
palavras pomposas e magníficas, ou de qualquer outra figura de
retórica ou ornamento extrínseco, com os quais muitos costumam
desenvolver e enfeitar suas obras; e isto porque não quero que outra
coisa o valorize, a não ser a variedade da matéria e a gravidade do
assunto a tornarem-no agradável. Nem desejo se considere presunção se
um homem de baixa e ínfima condição ousa discorrer e estabelecer
regras a respeito do governo dos príncipes: assim como aqueles que
desenham a paisagem se colocam nas baixadas para considerar a natureza
dos montes e das altitudes e, para observar aquelas, se situam em
posição elevada sobre os montes, também, para bem conhecer o caráter
do povo, é preciso ser príncipe e, para bem entender o do príncipe, é
preciso ser do povo. Receba, pois, Vossa Magnificência este pequeno
presente com aquele intuito com que o mando; nele, se diligentemente
considerado e lido, encontrará o meu extremo desejo de que lhe advenha
aquela grandeza que a fortuna e as outras suas qualidades lhe
prometem. E se Vossa Magnificência, das culminâncias em que se
encontra, alguma vez volver os olhos para baixo, notará quão
imerecidamente suporto um grande e contínuo infortúnio.
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